segunda-feira, novembro 10, 2003

Ingratidão dos últimos suspiros

Olhares ingénuos não queimam o reconfortante embalo da música
Dos algerozes inconsoláveis e da chuva rasgando todos os dias
Atormentados com a ingratidão dos últimos suspiros.
Andarilhos meio perdidos, ébrios
Transmutados em libidinosa errância
Filtrando pelo tempo o suave prazer de sentir a musica como sua
Sem se importar com isso e com nada, antecipando
Dizer que não à estranheza de alguém
Admirando o crepúsculo do juízo final por nós iniciado
Respirar o ar conturbado dos jardins quando não havia árvores
Onde a beleza é desculpa para esperar
Para ver o que acontece e lastimar as vozes, os gestos
Perdidos, distorcidos, recriados, transgénicos
Diligentes criações psicóticas em parceria
Exalando prenúncios de mentira e imitada realidade.
Pouco importa onde estou, mas tu sabes
Estranho-te e esqueço-te por aqui ter estado
Em consciência sabendo que não existes
Que ris e floresces de modos artificiais
Incolores e inodoros para mim.