sexta-feira, março 04, 2005


Ouvi-te, à noite

dar sentido ao imenso vazio
lá dentro, fico à espera de nós
oportunidade rara e audácia
repousar nos cambiantes da voz

não evito um trago de desilusão
de nascer à flor da pele
ausentando-se um suspiro no escuro
como um piano na escuridão

falar do meu mundo, respirar
voo rasante de melancolia
delírio febril alimentando-se de si próprio
transgredir, sentir a tua voz descarnar

errância e desacerto dos passos
as árvores que fogem na janela
esbanjamento e desvarío
tu falas, preversa, da consciência dos teus traços

arrojada e vil proeza
a vassalagem ao momento
a sonoridade livre e consciente de ouvir
que me amas, mas sem certeza.
que me prendes e lapidas
com crueza.