quarta-feira, fevereiro 25, 2004

como água



Descobri que te amava num qualquer dia,
Num jardim de ondas
A sós com a nossa visão,
Procurando as palavras que não criam raízes, não escavam feridas,
Pressentindo a nudez acústica da voz,
Nas palavras saltando esquinas de luz,
Hesitando sobre o futuro de descoberta do outro,
O irremediável desencadeando antecipações.

Nas águas turbulentas das emoções,
Imaginação faz-nos esconder atrás das coisas,
Da presença de espírito para partilhar os riscos do desequilíbrio,
Os estragos em águas turvas,
A insolência, ironia, renúncia,
A excitação desconcertante de nos deixarmos assombrar,
Observando o movimento do tempo em surdina,
Desvirginando em segredo a rebeldia embalada pela música,
A paixão atravessando a complacência com risos pirotécnicos,
Cada dia como o anterior, sempre,
Sempre que sejamos nós,
Juntos, como água