terça-feira, março 13, 2007

Na tua colina



Entrega-me a minha metade do teu nome escrito na cidade,
O corpo dividido em muitas margens,
Impossíveis de alcançar,
Irremediavelmente perdidas na dança eterna das ondas,
No perfume suave do poente,
Acendendo o burburinho da noite.


Demora-se quem passa nesta colina,
Enebria o odor as corpos escondidos
A túmulos e promessas de lábios gelados,
Dormindo sobre o mármore que esfria por baixo,
Na sombra do fim do dia,
No mundo sem vida que nada aquece
Em promessas de nada dizer.

Agitam-se as vozes subindo a encosta,
Tropeçando nos acasos,
Nos rios que alastram com a chuva
Como o negro da paixão
Como o vinho que já não enche nem preenche e se entorna,
Dolorosamente embriagando,
Esquecendo-me de procurar alguém
Entre aqueles que passam por aqui,
Esperando que me devolvam o meu lugar na cidade.

Entretanto, sem remédio, perco-me.