quarta-feira, julho 07, 2004


O mar que se adivinha

“(..)és o corpo a que voltar
será talvez como morrer no mar”
Gastão Cruz, “Repercussão”


Fogem as sombras e os risos no estio interminável do sul
O suor e as curvas que luz desenha
Em finas e intermitentes linhas de horizonte
O mar que se adivinha na aridez de palavras
No reflexo dos lábios humedecidos outra vez
O testemunho silencioso de um tronco solitário
Marcando a diferença da ausência dela
De súbito avistada como um beijo roubado
E gralhas rasando as rochas e as searas
Olhos desamparados no rompante de botões saltando
Pele sobre pele
As marcas da terra no corpo que descansa atordoado
O vento que toca como água
Lavando o embaraço dos calores
Escorrendo e logo secando
Na estepe alentejana.