sexta-feira, outubro 03, 2003

A escuridão da chama

De olhos fechados, o mar não se ouvia.
A música em fundo, o tempo parado
Quase envelheceu, definhou
Nas nossas horas, a nossa indiferença,
Culpando-me do cansaço, da tortura da espera.
Faz-me entardecer antes do pôr-do-sol,
Quando a chama se extingue, molhando a terra ardida,
O amor que já não lembra,
Do tempo que passou, que queimou.
E nada restou, cegando-me,
Por me atrever saber o que ficara,
Sem choro nem mágoa,
Por nada, uma folha
Rodopia na penumbra
Incandescente sobre a luz, pecadora,
Na lua, onde as cinzas descansam
Na minha mão, húmida e salgada,
Tremendo, cansada,
Sem eira onde morrer,
Na vertigem da morte,
Tão perto
E a vida, marcando passo
A toda a hora.