sexta-feira, outubro 24, 2003

Adamastor

Efémeros são os monstros, datadas são as razões.
Dias que são longos, curtas espadas em golpes desferidos na penumbra.
Insiste no disparate, culpa o teu medo do receio,
A tua culpa de teres medo, o receio de vires a ter perdão.
Viver na expectativa de ter expectativas e vontades,
De pensar que o escuro só é uma parte, e que depois vem o dia,
E que dá lugar a outro dia.
A fatalidade não é inevitável, o destino não está traçado,
As mãos de Deus não são mais do que... mãos.
Efémeras são as vontades, perenes vivências suportam corpos fracos,
Sem iniciativa, sem mudança.
No teu íntimo podes conspirar, criar, destruir, inventar, sonhar.
O que te pode prender o corpo, não te prende a ti.
Luta, porque neste mar de terra, onde as tristezas são alegrias,
Livre é o pensamento.
Transcende tempos toma lugar de coisas,
Ilumina noites, guia dias, muda olhares, cria vontades.
Efémeros são os monstros, e firme para sempre
É a liberdade de ser livre.