quarta-feira, dezembro 27, 2006


Fecha o dia (outro)


Abre-se a janela mais uma vez
E outra, boca que fecha o dia,
Quando mais uma noite magoa ainda mais,
Sempre que mais um copo te possuía,
Mais forte, com mais prazer
Que eu, desfeito
Insuportável, irremediável,
Batendo com estrondo, o coração
Que sabe estar perdido,
Lentamente, convencido
De outro corpo que não se toca, não se mexe,
Não se sente, a morte
Em aveludado perfume envolvendo,
De mansinho, leve, fácil, previsível
Canto de sereia, inquieto, escondido,
Alucinando.

Abro a porta pela última vez.