quinta-feira, dezembro 21, 2006


E se eu não quiser esperar.

E se eu quiser não esperar,
Nem mais cinco minutos, nem a hora acordada,
Nem atrasos, onde olhássemos na ansiedade que nos espera,
No manto escuro que agora se sente,
Onde deixássemos a imaginação para outra conversa,
Onde perdêssemos todo o tempo,
Para ouvir-te comandar o meu sonho, e eu o teu,
Rasgar o meu coração de dúvidas, de fugas e ódios,
Esquecer o protocolo,
Qualquer um que agora se aplique,
que agora se exija,
E nos beijássemos, sem limites,
Tal como nos apetece, tal como nos treme debaixo da pele,
Esquecendo a vergonha que não temos, perdida.

E se eu não quiser esperar,
Nem mais um suspiro de tédio, pela relógio parado, e correr,
Atravessar a cidade em hora de ponta, enorme, instransponível,
Só para chegar mais cedo, agora mesmo,
Para poder ver-te descer as escadas, tão devagar quanto possível,
Para poder não perder o mesmo brilho que trazes nos olhos, irreal,
Que já não vejo, e beijo,
Sem esperar.