quarta-feira, agosto 23, 2006


De partida

As vezes que esqueço de voltar,
Simulando que o dia não começa nunca mais,
Devassando quem dorme,
conspirando segredos nocturnos,
Procurando nomes que se afastam
Sem rasto, sem passos na relva pisada,
Escondidos no pó da cidade,
Amarrados às horas,
Ao verão deslizando na transpiração,
Aos vícios da respiração, dos espaços,
Dos sorrisos no meio das palavras guardadas
Em caixas, como segredos para o mundo
Saboreados com o gosto sombrio do mar.


A cidade esconde-se em nada e a luz esmorece,
Nada existindo além dos corpos que se esvaziam
Na confusão da sucessão dos dias,
Perdidos nas fugas dos barcos,
Cúmplices de quem se esconde longe,
Mesmo aqui ao lado.

Do escuro emergimos.
A noite não acabou.