terça-feira, agosto 19, 2003

Mar desfeito

O vento quente dos suspiros, queimava os olhos
Amedrontados diante a esperança, jazida
cheirando a óleo, sabendo a gritos de coragem,
esquecidos num abraço de uma vida.
Em ruínas, corações esmagados
perdidos num beijo de despedida.
Ouviam-se mais ...
E no cais, amontoavam-se os navios,
Tristes, pesados, podres,
como seria o resto do tempo,
para lá da barra, bem longe da vista,
onde fraqueza que não se evita,
e as almas escurecem e definham,
no retorno compulsivo da vertigem da terra,
perdida das mãos e desfeita no mar.
Ficámos para trás... a um horizonte de distância.