quinta-feira, março 12, 2009



Arco das Portas do Mar

A noite finda, exausta e com medo
Acordamos mergulhando no oceano,
Na maré da manhã que nos arrebata da frieza das pedras,
Dos corpos fundidos com o imenso que finda e se inicia
Sempre que agarramos e cruzamos o céu e a almas,
Quando nos fazemos corpos celestes em fogo e cadentes,
Como palha desfazendo-se na chuva,
Inundando tudo o que contemplamos por inteiro, infinitos
A lua, o mar e a espuma que se quebram e soltam na correnteza,
Confidentes dos segredos que se guardam sobre o arco
Nas portas do mundo.


“A porta do mar, na qual penetram as ondas pela maré cheia, e vêm, numa altura de três braças, bater contra a muralha.”
Al-Himyari, Kitab-Rawd Al-Mitar, sobre a Cerca Moura de Lisboa
Traduzido por António Borges