quinta-feira, janeiro 24, 2008


Conta (me)

Às doze passa o comboio e o barco
Dos cinco minutos depois, avisa a cidade, agora
Que se afasta da marginal, aos quinze minutos de cada hora,
A que demoro, todos os dias,
Para as avenidas altas, às treze,
Onde espero mais vinte, eternidades, por ti,
E gasto mais dez, cigarros, implacáveis
Com os meus trinta e um anos de vida,
Perfeitamente realizados
A cada uma das incontáveis ocasiões que te toco,
Amaldiçoados dedos, cinco, os meus e
As vezes ao dia que digo que vou fugir, outra mentira,
E voltar aos teus braços, quatro,
Envolvidos todas as manhãs, mil
Histórias contadas a cada sonho e noite que perco da conta, sempre,
Quando sabemos que isto não vai mudar,
Sempre que nos lembrarmos de nos questionar,
Se somos dois ou um.

Conta-me, quanto falta para não faltar mais nada,
Para sermos deuses e enquanto quisermos,
Para termos a eternidade até que caíamos mortos,
Como heróis,
Repletos de tédio ou de excesso de nós.