quarta-feira, abril 05, 2006


Adágios nocturnos (fuga apressada sobre a neve)

Debaixo da noite
Adormece a manhã,
Admiram-se as profundezas do sonho,
Quando o dia acaba lá fora,
De ferro, as minhas pernas (seguras, na escada)
Forjado, no coração (o amor ao divino)
Branco, o meu corpo
Extinguindo-se na luz ténue de uma ópera
Na envolvência do calor da música.


Em fuga apressada sobre a neve,
Descobre-se a grandeza das cidades
De domingo à tarde
Feitas de café com piano,
Misturando-se nas últimas corridas do dia,
Saboreando o gosto pelos desfechos perfeitos.

escrito entre Praga, Viena e Budapeste, Março de 2006