quarta-feira, maio 11, 2005


Non si muova...

Almas cúmplices descortinando-se ao entardecer,
Mostrando-se em recantos de intimidade infinita,
Num jogo opiáceo de perpétua vigília,
Em movimentos de silêncio como fio de prumo

Cores magníficas sublimando-se,
Meias palavras crepitando,
O fragor de um dia maior, irrompendo debaixo de fogo
Queimando,
Corpos feridos da travessia, um escrevendo o outro
Como demónios à solta.

Naquela noite de Nápoles ouviu-se a mesma ópera
Um amor insurrecto, carnalidade absoluta,
Num pendor trágico e febril de um tremendo desejo,
Sem queixumes ou lamentos,
Apenas movimentos libertários, cintilando na penumbra.