quinta-feira, agosto 23, 2007


Refúgio

Vive em ti outro ano mais quente que antes
Refúgio infinito do sul interminável
O encanto de sonhar para diante
A rendição ansiosa ao perfume que nos liga e nos quebra.

Permanece em ti o esconderijo
Do vento que há muito não desfralda bandeiras
Da folhagem solta no descanso
Do bramido das vozes que povoam o horizonte,
Rugindo intemporais.

Procuro em ti
A serena frescura das manhãs marítimas
Os sombrios recantos dos poemas sem sono
Onde não se dorme sem sonhar.

A terra e o céu calam-se e riem em ti.
Vejer de La Frontera - Espanha

“(...)Atravessei o jardim solitário e sem lua,
Correndo ao vento pelos caminhos fora,
Para tentar como outrora
Unir a minha alma à tua (...).
In “O jardim e a noite”
Sophia de Mello Breyner Andresen, “Cem poemas de Sophia”