sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Promontório (abismo)


Dei dois mares num suspiro

Fugindo o tempo num abraço

Aquecendo o corpo noutro beijo,

Afastado o silêncio nos ruídos

De portas e vozes abertas

Á respiração dos nomes das coisas,

Ressoando, quebrando a vastidão das almas desconhecidas,

Em ímpetos de paixão ofegante.


Dei o mar às palavras que me afogam

Vagas,

Tesouros naufragados, inacessíveis como os medos,

Esclipes no breu da cegueira,

Água lisa infinita da inspiração,

Mergulhada nas estrelas.


Abre-se o abismo no promontório despido

Pelo vento e fúria clamorosa do que já não se ouve,

O que se perde em cada momento de primavera,

Em cada dia maior de verão.

Juntam-se os mares da terra em outras vozes,

Deslizam os barcos no sossego límpido do estreito.


Respiro, enfim, livre.