segunda-feira, fevereiro 20, 2006


Toques imperfeitos

Corpos povoados de vagos gemidos
acesos na penumbra fingida da exaustão
de uma noite, por um beijo que se
deixou inacabado no fogo nocturno
de cigarros extintos, na humidade
da beira mar, suspirando nomes
de cidades e toques imperfeitos,
desfazendo nós apertados de corações migrando,
peitos entreabertos ao amor,
irrompendo em águas enfurecidas,
paredes que derrubam e abrigam
ausências, instantes invisíveis, desenhos
de feridas atravessando as horas do cais,
voes pressentindo-se como rádios pirata
enxameando as ondas sonoras do teu riso,
o medo de nada e tudo acontecer
contigo.

3 comentários:

cbj disse...

nos pas de mer nous conduisent vers le flux

sens opposé l'ombre nous pousse

faire chemin c'est aller vers, toujours

longer l'eau comme on longe la vie

ta main est proche, je la devine.


embrassons la perspective, tissons encore un peu

il fait soleil, une lumière sur le cœur

écopons nos désirs, nos corps de verre

destination sans abri l'aube se cache

le jour s'en ira laissant là le fil de lin

Manuela Rodrigues disse...

Acabei de comentar os "toques imperfeitos" do Olhares. Fotografias com poesia e poesia com imagem. Gosto da tua forma poética´, é suficientemente clara e não eclética, soa sem ruído.

PedroAlmadena. disse...

Será só comigo ou também vos acontece? Ler e de imediato sentir que isto nos diz respeito a nós, recordar de imediato momentos da nossa vivência, do universo brilhante das relações com os outros?