Um (só)
Os olhos, plenos de tudo, não enganam, a vontade, o desejo. As mãos, fortes e delicadas, arrepiam a pele, desenham contornos, desenham palavras, gritam silêncios óbvios no teu peito, bronzeado e quente, acompanhando, juntando-se ao coração, ao bater das horas que passam com vagar, vagarosamente apreciando, lentamente, beijando os lábios, os nossos, ardentes, murmurando, qualquer coisa, suspirando de prazer, sós, os dois, pelo toque, carícia e volúpia, ondulando, imaginando, voando, tremendo, enrolando, suplicando.
Os dedos, multiplicando-se, dividem-se, separam-se, tentando abarcar o que a vista alcança, o que o sentido, premente, pressente, conquistando, navegando, nos recantos escondidos, as superfícies belas, virgens, oferecendo o corpo, a alma, tudo o que mais vier, tudo o que mais pedir, tudo o que mais se sentir, mais e mais.
Os olhos, as mãos, os dedos, plenos de tudo, não enganam, a vontade, o desejo, o arrepio, o bater, o murmurar, o tocar, o imaginar, a súplica, o sentimento, que nos une, que nos consome, que nos faz, um só, tudo num só.
Acordo. Estás aqui.
quinta-feira, julho 24, 2003
terça-feira, julho 22, 2003
Tenho alguém que me espera
Tenho alguém que me espera.
Para lá do outono que voou pela janela,
Nada deixando além do meu nome.
E o teu, não me lembro, da cidade que não vi,
Pois só a ti eu deixei,
O que não tinha,
Como no corredor vazio, só a luz entrava,
E iludia a ausência, de quem espera por nada,
Rebelde pela sua causa, sem chama nem valor,
Sem arbítrio ou condescendência.
Alguém que sei que tive, nos meus braços e mais ninguém,
Nem outro verão ou primavera, nem vento que separasse,
Nem ponte que unisse, nem mundo que ruísse,
Não teve força nem vontade,
Esperava clamores de vitória, honras de estado.
Mas o meu coração não tem protocolo,
É terra de ninguém,
Onde não há vida,
A não ser a que despertaste e chamaste,
Onde deixaste silêncio,
E nada mais se ouve que o bater, oco, sincopado, compassado,
como dois dedos na mesa, contando as horas, os minutos,
sem segundos momentos, nem novas oportunidades.
O silêncio de alguém nem ficou para se ouvir,
Olhando-se de longe, fugindo pela calçada,
Com passos calados e tímidos, por entre as frinchas e feridas,
Abertas, ardendo, do meu coração.
Tenho alguém que me espera.
Para lá do outono que voou pela janela,
Nada deixando além do meu nome.
E o teu, não me lembro, da cidade que não vi,
Pois só a ti eu deixei,
O que não tinha,
Como no corredor vazio, só a luz entrava,
E iludia a ausência, de quem espera por nada,
Rebelde pela sua causa, sem chama nem valor,
Sem arbítrio ou condescendência.
Alguém que sei que tive, nos meus braços e mais ninguém,
Nem outro verão ou primavera, nem vento que separasse,
Nem ponte que unisse, nem mundo que ruísse,
Não teve força nem vontade,
Esperava clamores de vitória, honras de estado.
Mas o meu coração não tem protocolo,
É terra de ninguém,
Onde não há vida,
A não ser a que despertaste e chamaste,
Onde deixaste silêncio,
E nada mais se ouve que o bater, oco, sincopado, compassado,
como dois dedos na mesa, contando as horas, os minutos,
sem segundos momentos, nem novas oportunidades.
O silêncio de alguém nem ficou para se ouvir,
Olhando-se de longe, fugindo pela calçada,
Com passos calados e tímidos, por entre as frinchas e feridas,
Abertas, ardendo, do meu coração.
segunda-feira, julho 21, 2003
Como Ondas...
aquelas pequenas coisas
que no teu dia de sol voam
tão depressa falam suavemente
em braços descobertos e calor
à noite junto ao rio
descobrem-se e riem
como ondas molhando o cais
como ondas do teu cabelo
como ondas no ar
levando o teu som ao meu mar
aqueles dias de verão
num inverno interminável
num momento de vários instantes
minutos contados ao segundo
descendo a avenida
quase voando
quase cantando
quando chorando
molhando a cara
salpicando o dia
como ondas na beira mar
como ondas e espuma nos pés
o teu corpo feito em curvas
sentidos ascendentes e carnais
sem resistências
eu
a mim próprio
a ti
numa onda de excitação
numa vaga de vontade
numa maré de bem querer
num mar de sentidos
num oceano maior que nós
numa lágrima não contida
escutando
tocando
mergulhando
emergindo
acariciando
como um onda.
aquelas pequenas coisas
que no teu dia de sol voam
tão depressa falam suavemente
em braços descobertos e calor
à noite junto ao rio
descobrem-se e riem
como ondas molhando o cais
como ondas do teu cabelo
como ondas no ar
levando o teu som ao meu mar
aqueles dias de verão
num inverno interminável
num momento de vários instantes
minutos contados ao segundo
descendo a avenida
quase voando
quase cantando
quando chorando
molhando a cara
salpicando o dia
como ondas na beira mar
como ondas e espuma nos pés
o teu corpo feito em curvas
sentidos ascendentes e carnais
sem resistências
eu
a mim próprio
a ti
numa onda de excitação
numa vaga de vontade
numa maré de bem querer
num mar de sentidos
num oceano maior que nós
numa lágrima não contida
escutando
tocando
mergulhando
emergindo
acariciando
como um onda.
quinta-feira, julho 10, 2003
Chuva segura
Segura, a tortura, perdura
Na sombra, o silêncio aproxima
De perto, de mais, intenso
Cantando, baixinho, suspirando
Aberta, a ferida, por sarar
Perdida, calada, sem voar
Temendo, o assombro, ansiedade
Velada, a vergonha, escondida
No manto, encanto, protegida
Vendida, entregue, rendida
À dor, fervor, amor, vazio, na casa, assusta
Nuvem, a chuva, não passa
Nem traça, o caminho, estreito
Subindo, fugindo, sem chão
Ao tecto, mais alto, no céu,
A linha, o mar, o horizonte
Ténue, longe, a fantasia
Mentir, sem ver, sentir
Presença, a tua, comigo
Perto, colados, calados
Tremendo, temendo, querendo
Morrer, matar, amando
Algures, no mundo, perdidos
Esperando, a chuva, que não passa.
Segura, a tortura, perdura
Na sombra, o silêncio aproxima
De perto, de mais, intenso
Cantando, baixinho, suspirando
Aberta, a ferida, por sarar
Perdida, calada, sem voar
Temendo, o assombro, ansiedade
Velada, a vergonha, escondida
No manto, encanto, protegida
Vendida, entregue, rendida
À dor, fervor, amor, vazio, na casa, assusta
Nuvem, a chuva, não passa
Nem traça, o caminho, estreito
Subindo, fugindo, sem chão
Ao tecto, mais alto, no céu,
A linha, o mar, o horizonte
Ténue, longe, a fantasia
Mentir, sem ver, sentir
Presença, a tua, comigo
Perto, colados, calados
Tremendo, temendo, querendo
Morrer, matar, amando
Algures, no mundo, perdidos
Esperando, a chuva, que não passa.
quarta-feira, julho 09, 2003
Empty moon
Maybe the ocean flow in to your mind,
Se o teu corpo for de água,
Maybe alive in another planet,
Que seja do mar,
Where the lost souls find their way,
Onde eu possa mergulhar,
Where my love sufocates the empty space,
Deixar-me afogar,
Seeking for something, beeging air to breathe,
Não pedir para me salvar.
Burnig my heart, loosing footsteps on the stars.
Maybe the ocean flow in to your mind,
Se o teu corpo for de água,
Maybe alive in another planet,
Que seja do mar,
Where the lost souls find their way,
Onde eu possa mergulhar,
Where my love sufocates the empty space,
Deixar-me afogar,
Seeking for something, beeging air to breathe,
Não pedir para me salvar.
Burnig my heart, loosing footsteps on the stars.
Quando o verão era azul
Nada mais e tudo importava
E no mar toda a alegria flutuava
Voava no etéreo pôr do sol
E a areia quente do fim do dia
Salpicada e leve
Nas mãos e no rosto
A pele morena e as gaivotas
Dos pescadores, que não paravam
Cavalgando ondas e noites
Brincando e pulando
Na espuma dos nossos dias
De mãos dadas olhando a manhã
Por nada esperando
E tudo querendo
Por ti desejando
A maresia e a calma
As marés e a lua
Iluminando e esquecendo
O medo do escuro, nas dunas
Quando o verão era azul
Os dias não mais terminavam
E para sempre duravam
Por nós vivendo
Por nós cantando
Por nós sonhando
Teresa
Nada mais e tudo importava
E no mar toda a alegria flutuava
Voava no etéreo pôr do sol
E a areia quente do fim do dia
Salpicada e leve
Nas mãos e no rosto
A pele morena e as gaivotas
Dos pescadores, que não paravam
Cavalgando ondas e noites
Brincando e pulando
Na espuma dos nossos dias
De mãos dadas olhando a manhã
Por nada esperando
E tudo querendo
Por ti desejando
A maresia e a calma
As marés e a lua
Iluminando e esquecendo
O medo do escuro, nas dunas
Quando o verão era azul
Os dias não mais terminavam
E para sempre duravam
Por nós vivendo
Por nós cantando
Por nós sonhando
Teresa
terça-feira, julho 08, 2003
Fragmentos do nada
Entregue(s) a Si
Vagamente, lentamente, lembrava-se de tudo e não via nada, nas nuvens não conseguia tocar. E nas pessoas...Tão indistintas por fora, tão semelhantes como largo é o abismo que separa o mundo, aquele que ele criou, o que todos constróem e desfazem.
Vagamente, este era o seu mundo, recordando-se de outras horas em outros tempos.
E no mar tocava e nada sentia, nem alegria nem tristeza, nem medo nem coragem. E o mundo girava, tão rápido que de longe parecia parado,
como que aguardando o fim.
Não existes!, disse ao espelho, mudo e absorto em si, inanimado, ao que Ele nada retorquiu, com medo de negar-se a si mesmo, como se neste momento pensasse que não pensava, que não se interrogava. Só preciso de quem me possa tocar, desabafou repudiando o seu reflexo.
E nós, de repente compreendemos que estávamos sozinhos e na penumbra não vislumbramos o dia, nem Ele, que sabia o que era o dia e a noite e a madrugada. Ele, perdido como a escuridão fugindo à luz, temendo o inevitável, pela primeira vez teve medo, como nunca sentira. Cada coisa no seu lugar é o mundo do avesso, as vontades diluídas na descrença, a ausência de futuro. Ele não percebia que o reverso é a prova da face e isso entristeceu-o, culpou-o, amarrou-o a si mesmo, pois não vira o que fizera. Fez mal pelo bem, o bem pelo mal e chorou, naturalmente.
O que fiz? Perguntou ao espelho, que respondeu Nada, Tu não fizeste nada, todos fizeram o que Tu devias fazer, eles disseram-Te o que lhes devias dizer, eles amordaçam-te quando querem, não ages nunca, mesmo quando alguns pedem; Tu pensas o que todos eles pensam, Tu fazes o que eles fazem, Tu estás onde eles estão. Ou Será tudo ao contrário?
Assustado, perguntou: - Então quem sou Eu? E ele nada respondeu...
Perplexo, vagueou e perplexo tentou entender a dor. A dor de não saber como pode doer se nada não pode doer, terá pensado. Mas não parou e não descansou até O reconhecerem, todos aqueles de quem falavam, no mar, na terra, no ar, nas estrelas, todos se apagavam, ocultando o seu caminho, dissimulando a sua passagem.
E Ele desistiu, pois mais nada conhecia que toda a parte e em toda a parte, ninguém O reconheceu. Deixou-se ficar, deixou de ouvir, a ninguém respondeu, pois ninguém O chamava.
E tudo mudou. A penumbra não mais fugia ao dia, e a noite não mais cessou, pois já era tudo, as nuvens cobriram a terra e toda parte era outra toda igual Ninguém O procurava, ninguém O perdera, não havia falta do que nunca lá estivera, percebendo, enfim, que não fazia sentido apenas para quem Nele depositava fé, apenas para quem Nele se orientava, por falta ou fraqueza, por escolha ou atitude, por reveses ou bandeiras.
E agora? Ficam entregues a si...! interrogou-se ao espelho, ao que este, sem pensar, num ápice, respondeu: Sempre estiveram...
Entregue(s) a Si
Vagamente, lentamente, lembrava-se de tudo e não via nada, nas nuvens não conseguia tocar. E nas pessoas...Tão indistintas por fora, tão semelhantes como largo é o abismo que separa o mundo, aquele que ele criou, o que todos constróem e desfazem.
Vagamente, este era o seu mundo, recordando-se de outras horas em outros tempos.
E no mar tocava e nada sentia, nem alegria nem tristeza, nem medo nem coragem. E o mundo girava, tão rápido que de longe parecia parado,
como que aguardando o fim.
Não existes!, disse ao espelho, mudo e absorto em si, inanimado, ao que Ele nada retorquiu, com medo de negar-se a si mesmo, como se neste momento pensasse que não pensava, que não se interrogava. Só preciso de quem me possa tocar, desabafou repudiando o seu reflexo.
E nós, de repente compreendemos que estávamos sozinhos e na penumbra não vislumbramos o dia, nem Ele, que sabia o que era o dia e a noite e a madrugada. Ele, perdido como a escuridão fugindo à luz, temendo o inevitável, pela primeira vez teve medo, como nunca sentira. Cada coisa no seu lugar é o mundo do avesso, as vontades diluídas na descrença, a ausência de futuro. Ele não percebia que o reverso é a prova da face e isso entristeceu-o, culpou-o, amarrou-o a si mesmo, pois não vira o que fizera. Fez mal pelo bem, o bem pelo mal e chorou, naturalmente.
O que fiz? Perguntou ao espelho, que respondeu Nada, Tu não fizeste nada, todos fizeram o que Tu devias fazer, eles disseram-Te o que lhes devias dizer, eles amordaçam-te quando querem, não ages nunca, mesmo quando alguns pedem; Tu pensas o que todos eles pensam, Tu fazes o que eles fazem, Tu estás onde eles estão. Ou Será tudo ao contrário?
Assustado, perguntou: - Então quem sou Eu? E ele nada respondeu...
Perplexo, vagueou e perplexo tentou entender a dor. A dor de não saber como pode doer se nada não pode doer, terá pensado. Mas não parou e não descansou até O reconhecerem, todos aqueles de quem falavam, no mar, na terra, no ar, nas estrelas, todos se apagavam, ocultando o seu caminho, dissimulando a sua passagem.
E Ele desistiu, pois mais nada conhecia que toda a parte e em toda a parte, ninguém O reconheceu. Deixou-se ficar, deixou de ouvir, a ninguém respondeu, pois ninguém O chamava.
E tudo mudou. A penumbra não mais fugia ao dia, e a noite não mais cessou, pois já era tudo, as nuvens cobriram a terra e toda parte era outra toda igual Ninguém O procurava, ninguém O perdera, não havia falta do que nunca lá estivera, percebendo, enfim, que não fazia sentido apenas para quem Nele depositava fé, apenas para quem Nele se orientava, por falta ou fraqueza, por escolha ou atitude, por reveses ou bandeiras.
E agora? Ficam entregues a si...! interrogou-se ao espelho, ao que este, sem pensar, num ápice, respondeu: Sempre estiveram...
Vive!
ou a música do mundo...
Ondula, movimenta a tua beleza,
corta o ar com um suspiro,
fecha o silêncio com um sussurro,
não dês nada, não te contenhas.
Fala, repete o que ouviste,
inventa uma frase, estimula o meu intelecto.
Não quero nada, porque te detêns?
Grita, expressa os teus sentidos,
repele os teus medos, exorciza o desespero,
não queiras nada, não te atrevas a parar.
Transforma-te, supera-te,
arranca-te das entranhas,
faz a pele arrepiar, levanta as mãos ao céu,
chora de raiva.
Ama, vive, canta:
“Oiço música até mais tarde,
Espuma, bossa nova, num divã,
Dançando com a luz da rua,
Esperando o por-do-sol de amanhã.
No silêncio, abre a porta,
A fundo do mundo a tua voz,
Jantar, o vinho, a companhia,
Suave, acalma, estamos sós.
Na janela, um riso de lua cheia,
Não tardou a me animar,
Do estio, esperando o seu calor,
Do verão que não posso avistar.
Na torre, o vidro aquece ao sol,
Alegria cintilante sobre as águas,
Pela camisa, a tua mão no meu peito,
Afasta, afoga todas as mágoas.
Todos os amigos, as músicas,
Esperam abaixo, junto ao mar,
Gargalhadas e risos como os nossos,
Soltam-se na ânsia de amar.
O tapete estendido, como o mar,
De palha, as conversas que ardem,
esquecemos, o corpo com preguiça,
que os minutos não contam,
as horas que tardem”
ou a música do mundo...
Ondula, movimenta a tua beleza,
corta o ar com um suspiro,
fecha o silêncio com um sussurro,
não dês nada, não te contenhas.
Fala, repete o que ouviste,
inventa uma frase, estimula o meu intelecto.
Não quero nada, porque te detêns?
Grita, expressa os teus sentidos,
repele os teus medos, exorciza o desespero,
não queiras nada, não te atrevas a parar.
Transforma-te, supera-te,
arranca-te das entranhas,
faz a pele arrepiar, levanta as mãos ao céu,
chora de raiva.
Ama, vive, canta:
“Oiço música até mais tarde,
Espuma, bossa nova, num divã,
Dançando com a luz da rua,
Esperando o por-do-sol de amanhã.
No silêncio, abre a porta,
A fundo do mundo a tua voz,
Jantar, o vinho, a companhia,
Suave, acalma, estamos sós.
Na janela, um riso de lua cheia,
Não tardou a me animar,
Do estio, esperando o seu calor,
Do verão que não posso avistar.
Na torre, o vidro aquece ao sol,
Alegria cintilante sobre as águas,
Pela camisa, a tua mão no meu peito,
Afasta, afoga todas as mágoas.
Todos os amigos, as músicas,
Esperam abaixo, junto ao mar,
Gargalhadas e risos como os nossos,
Soltam-se na ânsia de amar.
O tapete estendido, como o mar,
De palha, as conversas que ardem,
esquecemos, o corpo com preguiça,
que os minutos não contam,
as horas que tardem”
segunda-feira, junho 30, 2003
Anseio por tocar-te...Lisboa
Lisboa (prefácio)
Lisboa é o cheiro das castanhas assadas numa rua empedrada, o zunir de eléctricos nos cabos feitos teias, silhuetas de casas e ruínas adornadas com flores.
Tem a voz de muitos, gritada por uma mulher, chorada por quem quer.
Tem o branco das casas e de uma ponte, o vermelho dos telhados e de outra ponte, o brilho de um mar que afinal é rio, o azul de um rio que se faz mar.
É o parque do renascimento de sentimentos, a viela onde se choram momentos, o palco do teatro central, a tela do político, a tela do pintor.
A alegria da avenida, a devoção em algo maior, a devoção na luz, a sua. A sinuosa rua esburacada, a casa esventrada, a torre iluminada, o vidro feito padrão.
É o mercado da fruta, o mercado dos domingos, o mercado das ideias, a parede feita de azulejo, o túnel luminoso, o dia de sol, verão quente.
É a porta do sul, a chegada do norte, uma nação aconchegada num pote.
A campina por detrás do monte, a praia não muito distante, o moinho girando com as marés, o verde para lá do horizonte.
É colo de uma menina, lágrima doirada de palha, perdida no caminho do mar.
É o fim do oriente, é o fim do ocidente, é a vida de quem a sente.
Chiado (a descoberta)
Era dia, e sei.
Eram dias e passavam sem ficar para falar.
Era outro como outro qualquer.
Mas sei qual era.
Era dia, fim de dias, luz quente destoa a cor.
Por dias passei, em tantos não parei,
Naquele pensei, que era igual ao mesmo anterior.
Não era.
Lembro-me de ti.
Estranha figura, conhecida pessoa de dias passados,
Que passaram sem parar, não queriam saudade.
Passaste, mas ficaste.
E falaste, com palavras que não passaram,
Que saíram de ti, lentamente, sem pressa.
E brilhaste, os teus olhos, no fim do dia,
Que queria mudar para outro igual.
Depois vieram novos dias, que passavam, paravam,
Lembravam-se dos anteriores, planeavam os seguintes,
Mudavam o fim, começavam sem ser de novo.
É dia e sei, sei que estás aí.
Fado (o enamoramento)
O teu fado é o meu sal, caminho de terra que será água,
imenso azul feito horizonte.
Os teus medos são o meu sul, os teus lábios louco destino.
O branco do meu ser, o verde dos teus olhos.
Um barco de vento, um porto de saudade, um campo de searas.
Tu e Eu.
Ao mundo... (a dúvida)
Um modo estranho de escrever...que não é o meu.
Não tem palavras para dizer, apenas olhar,
para mim, por ti.
Só eu, que não vejo, o que queres saber,
estranho aos teus olhos, esta maneira de pensar,
de te apontar, incomodado, pelo que me é indiferente.
E tu és, por vezes, muitas vezes, quase sempre, inexistente, demasiado grande para te sentir,
Como meu e eu.
Nada mais és, do que aquilo que não posso ter.
Um modo estranho de dizer
Que não me conheces...
Amanhecer (o despertar)
Calma morta, volúvel,
Que se veste de amor, fantasma frio, de ventania,
Risca as águas de espuma, descendo com a maré,
Ao longe.....
Desafia a música da casa, observa o movimento,
E as gruas param, e andam e rangem,
Elevam-se no nevoeiro, num elogio dos silêncios,
Um medo dissipado, ténue, erótico comandar,
O girar do relógio, o bater do coração,
O sopro do amanhecer, na janela fechada, a cortina corrida,
E o sol.... tímido, modela a cidade,
Desvenda o mistério, vilmente escondida na noite,
Que acaba assim como começa.
Com o dia.
Canto (a desilusão)
A casa está vazia, irritantemente vazia de ti.
As janelas apenas deixam entrar o sol da manhã,
rasgar o quarto ao meio, iluminar o espelho,
violar o escuro do meu canto.
A roupa, os lençóis estão frios, enrolados,
empurrados para fundo da cama,
afastam de mim o teu cheiro, o teu toque.
Na parede ainda estão as marcas do suor das tuas mãos,
no espelho escreveste "amo-te estúpido",
num baton atrevidamente vermelho.
O meu canto está cheio, transborda de contradições,
medos, receios, de falta de ti.
Os quadros estão fora do sítio, o tapete impede que a porta feche, deixa a tua ausência vaguear livremente pelas divisões, respirar pelos poros desta casa.
A cidade ainda está a despertar, alonga-se, abre os braços ao rio, deixa o sol aquecer-lhe o corpo estendido na margem.
Abre-me as janelas com o som dos barcos no porto,
com o rumor do trânsito nas avenidas.
A casa está vazia de ti, irritantemente vazia,
e eu, espero... no meu canto, cheio de nada.
Ocaso (a mágoa)
Acordo agora pela primeira vez, e lento corre o mundo sem ti, uma alma contaminada e triste, sabendo que houve um tempo em que a vida, ardia em cada amor, deixando um vazio perfeito no passado.
Quis-te como um louco, porque tudo foi meu desde sempre,
sonhar com gigantes, que continuam submersos, como os deixaste, como se cada coisa se inflamasse no ar,
ardesse, fosse fumo e brasa, como tempestade nos seus dias breves.
E de súbito, a sombra morta do tempo junto de ti,
quando o destino já não é uma desculpa, apenas solidão e surpresa tranquila,
do amor que não existe e provoca-me, querendo dizer que existe o mundo, o muito que somos iguais ao mar.
Mas não consegui mudar a forma de uma nuvem,
e é muito provável que eu acabe por existir contigo,
quando o rio parar de correr, e a noite acenda uma labareda nos dedos, e esta casa sombria não pareça a nossa,
como do oceano é a bruma, o leve marulhar,
ou é da cidade a cor esquiva da tarde, como gesto final do ocaso, insinuando o seu final.
Lisboa (prefácio)
Lisboa é o cheiro das castanhas assadas numa rua empedrada, o zunir de eléctricos nos cabos feitos teias, silhuetas de casas e ruínas adornadas com flores.
Tem a voz de muitos, gritada por uma mulher, chorada por quem quer.
Tem o branco das casas e de uma ponte, o vermelho dos telhados e de outra ponte, o brilho de um mar que afinal é rio, o azul de um rio que se faz mar.
É o parque do renascimento de sentimentos, a viela onde se choram momentos, o palco do teatro central, a tela do político, a tela do pintor.
A alegria da avenida, a devoção em algo maior, a devoção na luz, a sua. A sinuosa rua esburacada, a casa esventrada, a torre iluminada, o vidro feito padrão.
É o mercado da fruta, o mercado dos domingos, o mercado das ideias, a parede feita de azulejo, o túnel luminoso, o dia de sol, verão quente.
É a porta do sul, a chegada do norte, uma nação aconchegada num pote.
A campina por detrás do monte, a praia não muito distante, o moinho girando com as marés, o verde para lá do horizonte.
É colo de uma menina, lágrima doirada de palha, perdida no caminho do mar.
É o fim do oriente, é o fim do ocidente, é a vida de quem a sente.
Chiado (a descoberta)
Era dia, e sei.
Eram dias e passavam sem ficar para falar.
Era outro como outro qualquer.
Mas sei qual era.
Era dia, fim de dias, luz quente destoa a cor.
Por dias passei, em tantos não parei,
Naquele pensei, que era igual ao mesmo anterior.
Não era.
Lembro-me de ti.
Estranha figura, conhecida pessoa de dias passados,
Que passaram sem parar, não queriam saudade.
Passaste, mas ficaste.
E falaste, com palavras que não passaram,
Que saíram de ti, lentamente, sem pressa.
E brilhaste, os teus olhos, no fim do dia,
Que queria mudar para outro igual.
Depois vieram novos dias, que passavam, paravam,
Lembravam-se dos anteriores, planeavam os seguintes,
Mudavam o fim, começavam sem ser de novo.
É dia e sei, sei que estás aí.
Fado (o enamoramento)
O teu fado é o meu sal, caminho de terra que será água,
imenso azul feito horizonte.
Os teus medos são o meu sul, os teus lábios louco destino.
O branco do meu ser, o verde dos teus olhos.
Um barco de vento, um porto de saudade, um campo de searas.
Tu e Eu.
Ao mundo... (a dúvida)
Um modo estranho de escrever...que não é o meu.
Não tem palavras para dizer, apenas olhar,
para mim, por ti.
Só eu, que não vejo, o que queres saber,
estranho aos teus olhos, esta maneira de pensar,
de te apontar, incomodado, pelo que me é indiferente.
E tu és, por vezes, muitas vezes, quase sempre, inexistente, demasiado grande para te sentir,
Como meu e eu.
Nada mais és, do que aquilo que não posso ter.
Um modo estranho de dizer
Que não me conheces...
Amanhecer (o despertar)
Calma morta, volúvel,
Que se veste de amor, fantasma frio, de ventania,
Risca as águas de espuma, descendo com a maré,
Ao longe.....
Desafia a música da casa, observa o movimento,
E as gruas param, e andam e rangem,
Elevam-se no nevoeiro, num elogio dos silêncios,
Um medo dissipado, ténue, erótico comandar,
O girar do relógio, o bater do coração,
O sopro do amanhecer, na janela fechada, a cortina corrida,
E o sol.... tímido, modela a cidade,
Desvenda o mistério, vilmente escondida na noite,
Que acaba assim como começa.
Com o dia.
Canto (a desilusão)
A casa está vazia, irritantemente vazia de ti.
As janelas apenas deixam entrar o sol da manhã,
rasgar o quarto ao meio, iluminar o espelho,
violar o escuro do meu canto.
A roupa, os lençóis estão frios, enrolados,
empurrados para fundo da cama,
afastam de mim o teu cheiro, o teu toque.
Na parede ainda estão as marcas do suor das tuas mãos,
no espelho escreveste "amo-te estúpido",
num baton atrevidamente vermelho.
O meu canto está cheio, transborda de contradições,
medos, receios, de falta de ti.
Os quadros estão fora do sítio, o tapete impede que a porta feche, deixa a tua ausência vaguear livremente pelas divisões, respirar pelos poros desta casa.
A cidade ainda está a despertar, alonga-se, abre os braços ao rio, deixa o sol aquecer-lhe o corpo estendido na margem.
Abre-me as janelas com o som dos barcos no porto,
com o rumor do trânsito nas avenidas.
A casa está vazia de ti, irritantemente vazia,
e eu, espero... no meu canto, cheio de nada.
Ocaso (a mágoa)
Acordo agora pela primeira vez, e lento corre o mundo sem ti, uma alma contaminada e triste, sabendo que houve um tempo em que a vida, ardia em cada amor, deixando um vazio perfeito no passado.
Quis-te como um louco, porque tudo foi meu desde sempre,
sonhar com gigantes, que continuam submersos, como os deixaste, como se cada coisa se inflamasse no ar,
ardesse, fosse fumo e brasa, como tempestade nos seus dias breves.
E de súbito, a sombra morta do tempo junto de ti,
quando o destino já não é uma desculpa, apenas solidão e surpresa tranquila,
do amor que não existe e provoca-me, querendo dizer que existe o mundo, o muito que somos iguais ao mar.
Mas não consegui mudar a forma de uma nuvem,
e é muito provável que eu acabe por existir contigo,
quando o rio parar de correr, e a noite acenda uma labareda nos dedos, e esta casa sombria não pareça a nossa,
como do oceano é a bruma, o leve marulhar,
ou é da cidade a cor esquiva da tarde, como gesto final do ocaso, insinuando o seu final.
sexta-feira, junho 27, 2003
Assim como as lágrimas...
...Voas com a chuva pelos telhados
Rola transparente e fria, sem complexos ou vergonhas,
longe de egoísmos mundanos ou enigmas não resolvidos.
Cai, contorna as arestas, amacia a dureza do chão,
como a chuva molha o barro, como as mãos o fazem coisa.
A dor está por dentro, contra a chuva que bate furiosa.
Escorregas pela cobertura, lavas a angústia presa, que não sai.
A lágrima torrencial dos teus olhos, a chuva que não teima,
mas persiste, o telhado que espalha o teu sentir.
Bate com força no chão, salpica o teu corpo de esquecimento,
marcas que só o tempo pode apagar.
Por entre as pedras, a lágrima rebola nas escadas,
alarga a torrente de palavras, sacrifica-te o sossego,
sacraliza-te o amor.
Voa do céu à terra, do teu coração ao outro.
São os teus gritos que te estendem os braços,
são os teus olhos que tocam o vazio.
De ferro os teus medos enfrentam-se, lutam, queimam-te de dor.
Chove e permaneces só.
Lava-te o olhar, cobre a tua alma.
...Voas com a chuva pelos telhados
Rola transparente e fria, sem complexos ou vergonhas,
longe de egoísmos mundanos ou enigmas não resolvidos.
Cai, contorna as arestas, amacia a dureza do chão,
como a chuva molha o barro, como as mãos o fazem coisa.
A dor está por dentro, contra a chuva que bate furiosa.
Escorregas pela cobertura, lavas a angústia presa, que não sai.
A lágrima torrencial dos teus olhos, a chuva que não teima,
mas persiste, o telhado que espalha o teu sentir.
Bate com força no chão, salpica o teu corpo de esquecimento,
marcas que só o tempo pode apagar.
Por entre as pedras, a lágrima rebola nas escadas,
alarga a torrente de palavras, sacrifica-te o sossego,
sacraliza-te o amor.
Voa do céu à terra, do teu coração ao outro.
São os teus gritos que te estendem os braços,
são os teus olhos que tocam o vazio.
De ferro os teus medos enfrentam-se, lutam, queimam-te de dor.
Chove e permaneces só.
Lava-te o olhar, cobre a tua alma.
A luz apontada ao fundo da sala
A luz, no canto, escuro, frio, rebelde, silencioso, corta a respiração, mata a luz, que se perde, fugaz, limpa, virgem, atrevida, como uma chama na floresta, um barco furando a neblina, densa, misteriosa, envolvente, no rio largo, apertado pela cidade, alta irregular, barulhenta, confusa, com muita gente, que se cruza, numa praça, sem se ouvir, sem se calar, correndo, sem parar, para sítio nenhum, para uma rua, atravessando uma avenida, norte para sul, da colina ao rio, para a ponte, voar sobre a água, sentir os salpicos ao longe, sem poder para, cansado, com sede, a queimar, de desejo, o corpo ao sol, no veráo quente, interminável, bafejado pelo sul, o deserto, aqui tão perto, poucos segundos, uma hora, em duas te conheço, em três te pertenço, rebelde, silêncio, não consigo respirar, matar o desejo, sofreguidão, amor, paixão, sexo, suor, o calor, a janela aberta, não há aragem, as palavras não fluem, não escorregam na cara, enquanto choras, triste por não teres nascido, séculos atrás, não agora, para poderes veres mais, ouvires mais, sentires mais, mais, mais, mais, como se fosses água, intemporal, transparente, verdadeira, sensível, sincera, tocando as margens, os barcos, as gaivotas que planam e mergulham, a areia que se desfaz nos dedos, que voa com o vento, que se cola na pele, no corpo, nos nossos, eu e tu, no cais, vendo o pôr-do-sol,, cantando baixinho,, ao ouvido, murmurando palavras doces, de mel, e a cidade em volta, servindo de cenário, esperando as palmas, os encores, por não querer nunca acabar, como a luz, no canto escuro, onde se perde, sumindo-se lentamente, reflectindo-se, sem sentido, perdendo-se a música no silêncio, a respiração suspensa de surpresa, como a morte, fugaz e inesperada, sem aviso, como a luz que se apaga, com um toque, atrevido, no meu coração, sem volta, inconsciente, fica para sempre, aqui, comigo, olhando o rio, pela janela aberta ao mundo, onde as gaivotas mergulham, na nossa cama, para sempre.
Apaga a luz.
A luz, no canto, escuro, frio, rebelde, silencioso, corta a respiração, mata a luz, que se perde, fugaz, limpa, virgem, atrevida, como uma chama na floresta, um barco furando a neblina, densa, misteriosa, envolvente, no rio largo, apertado pela cidade, alta irregular, barulhenta, confusa, com muita gente, que se cruza, numa praça, sem se ouvir, sem se calar, correndo, sem parar, para sítio nenhum, para uma rua, atravessando uma avenida, norte para sul, da colina ao rio, para a ponte, voar sobre a água, sentir os salpicos ao longe, sem poder para, cansado, com sede, a queimar, de desejo, o corpo ao sol, no veráo quente, interminável, bafejado pelo sul, o deserto, aqui tão perto, poucos segundos, uma hora, em duas te conheço, em três te pertenço, rebelde, silêncio, não consigo respirar, matar o desejo, sofreguidão, amor, paixão, sexo, suor, o calor, a janela aberta, não há aragem, as palavras não fluem, não escorregam na cara, enquanto choras, triste por não teres nascido, séculos atrás, não agora, para poderes veres mais, ouvires mais, sentires mais, mais, mais, mais, como se fosses água, intemporal, transparente, verdadeira, sensível, sincera, tocando as margens, os barcos, as gaivotas que planam e mergulham, a areia que se desfaz nos dedos, que voa com o vento, que se cola na pele, no corpo, nos nossos, eu e tu, no cais, vendo o pôr-do-sol,, cantando baixinho,, ao ouvido, murmurando palavras doces, de mel, e a cidade em volta, servindo de cenário, esperando as palmas, os encores, por não querer nunca acabar, como a luz, no canto escuro, onde se perde, sumindo-se lentamente, reflectindo-se, sem sentido, perdendo-se a música no silêncio, a respiração suspensa de surpresa, como a morte, fugaz e inesperada, sem aviso, como a luz que se apaga, com um toque, atrevido, no meu coração, sem volta, inconsciente, fica para sempre, aqui, comigo, olhando o rio, pela janela aberta ao mundo, onde as gaivotas mergulham, na nossa cama, para sempre.
Apaga a luz.
Primeiro reflexo
A voz é o primeiro reflexo de alma,
mas confunde,
quem se perde.
E tu, andas à procura de ti lá fora,
procurando no silêncio, um espelho,
e os olhos, o segundo reflexo,
de apenas o que queres ver,
num vidro embaciado,
nem da gota imóvel,
se vislumbra a transparência,
de quem não quer ser descoberto.
E ris.
E tremes.
E coras,
choras,
desculpas-te de nada ser o que parece,
pois não parece ser nada,
nada mais do que possas dizer,
nada mais do que possas esperar,
e cegas-te dizendo que vês
A voz é o primeiro reflexo de alma,
mas confunde,
quem se perde.
E tu, andas à procura de ti lá fora,
procurando no silêncio, um espelho,
e os olhos, o segundo reflexo,
de apenas o que queres ver,
num vidro embaciado,
nem da gota imóvel,
se vislumbra a transparência,
de quem não quer ser descoberto.
E ris.
E tremes.
E coras,
choras,
desculpas-te de nada ser o que parece,
pois não parece ser nada,
nada mais do que possas dizer,
nada mais do que possas esperar,
e cegas-te dizendo que vês
Sobre a nossa cidade
Doía-me amar-te tanto,
e lembrar-me de tudo o que não eras tu,
consumir-me em quase loucura,
porque eras quase o mundo, todo,
e tudo o mais que eu imaginava,
flutuando sobre a nossa cidade,
tentando voar de mãos dadas.
Mas esqueci-me de ti,
e eu, lembrança efémera,
que ardeu contigo,
consumidos em fogo ardente, avassalador.
Vazios de tudo e cheios de nada,
definhamos por momentos, intermináveis,
tentando saber quem éramos, se sozinhos,
se tocando o rio com as nossas mãos,
limpando os salpicos com beijos.
E descendo o rio, não eras tu ao dobrar da esquina,
era eu, nascendo naquele momento,
renascendo de cinzas, já esquecidas
e agora voando, com o vento,
sobre a cidade, como nós.
Doía-me amar-te tanto,
e lembrar-me de tudo o que não eras tu,
consumir-me em quase loucura,
porque eras quase o mundo, todo,
e tudo o mais que eu imaginava,
flutuando sobre a nossa cidade,
tentando voar de mãos dadas.
Mas esqueci-me de ti,
e eu, lembrança efémera,
que ardeu contigo,
consumidos em fogo ardente, avassalador.
Vazios de tudo e cheios de nada,
definhamos por momentos, intermináveis,
tentando saber quem éramos, se sozinhos,
se tocando o rio com as nossas mãos,
limpando os salpicos com beijos.
E descendo o rio, não eras tu ao dobrar da esquina,
era eu, nascendo naquele momento,
renascendo de cinzas, já esquecidas
e agora voando, com o vento,
sobre a cidade, como nós.
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