segunda-feira, novembro 10, 2003

Vadio

O vadio sentado na cabeceira do sofá
Fumando cheiros de olhares em corpos,
Que deseja ardentemente, sem razão,
Porque sim, como não,
Degustando o fim de festa que se inicia
Rindo do despropósito alcoólico,
Das caneladas sujas e arrogantes
De quem nada sabe e morre,
Todos os dias, a ilusão definha, enfim.
O vadio reclama, e ri, e bebe,
Diverte-lhe a luxúria de viver, tenaz
O luxo de amar quem entender, vulgar
De escrever, a excitação
O espalhar a tinta em cada corpo relatado.
Confidencia-me o horror da calmaria surda
O calor do amor às escondidas e fugidio
Regado de suor e gemidos,
Ecos de uma Tundra distante
Segregando fluídos venenosos à hipocrisia.
As beatas comem a alcatifa, vorazes
Precipitam o abismo escancarado,
O fim, a quem o fogo se apaga.
- Sabes, já ninguém sabe ser vadio...
Digo que sim, que sei...

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